16.11.06

coisas da vida

Começo a notar que as pessoas dizem sempre uma coisa diferente daquilo que pensam e querem realmente. São poucas as pessoas cujas palavras correspondem por completo à realidade das suas vidas.

15.11.06

Chove dentro de nós

- Isto hoje está muito instável.
- O tempo?
- Também.

a impressora

No silêncio da madrugada, sózinho na sala, o barulho da impressora a trabalhar, as resmas de papel a saírem em catadupa, assemelha-se ao ruído das conversas entabuladas num café ao fim da noite, misturadas com cerveja e música, antes do regresso a casa. O homem é um tagarela e ainda por cima encorajado pelo dom da fala e da escrita.

14.11.06

uma noite

São as asas do desejo que nos bastam. São os sonhos que nos saciam. Até o sol derreter o caminho como cera. Porque as velas ardem até ao fim.

A defesa e o ataque

Gosto de pensar numa ideia retirada do futebol: a ideia ofensiva é que determina a acção e os movimentos de uma equipa. Mas há medida que os dias passam jogo cada vez mais à defesa.

12.11.06

as relações humanas

assedio

8.11.06

Coleccionador de silêncios

Sempre gostei da ideia de trocar as batalhas que se atravessam pelo nosso caminho por garrafas de vinho. Levantem-se os copos em direcção um do outro e beba-se o tinto em silêncio.

A ligação dos fios

Ficas aí sentado num banco do jardim a baralhar a vida, a dar cartas, a esconder trunfos, a jogar à sorte à espera que o fio do tempo passe. E quando te vais embora para sempre o jogo recomeça noutro banco de um outro jardim.

6.11.06

A vida é um jogo

Melhor desistir ou não, 712 - A ilha do tesouro, 541

A formiga e a cigarra

Uma formiga em cima da mesa do computador. A partir daí olho à volta à procura de outras coisas que se ajustem ao que vejo. Uma factura da livraria barata. Um retrato das minhas filhas. Uma colher de chá. Um lápis. Uma chave. Uma pilha de livros para ler. Sándor Márai. Kafka. Kierkegaard. Joyce. Eduardo Galeano. E descubro que acaba tudo por estar relacionado. Até o teclado do computador. Quando escrevo a palavra formiga a pensar na cigarra.

31.10.06

a vida epistolar

"Não era preciso ires para fora, largares o emprego, dares a volta ao mundo para tentares reencontrar-te. O que fizeste foi apenas fugir de uma parte de ti que não querias mais. Só que ela estará sempre contigo. Quer tu queiras ou não. Habitua-te a viver assim."

o abismo toca a todos

"A certa altura, o dinheiro deixa de contar. O que importa é o jogo" (Aristóteles Onassis)

as linhas da vida

Desço as escadas da estação. À minha frente linha 3 e linha 4. A linha 3 conduz-me ao trabalho. A linha 4 ao ócio. Não tenho escolha. Hoje. Quando estou de folga também não tenho escolha. Opto sempre pela linha 4. Não devia ser assim

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